Alejandro sentiu o peito apertar. A sua amada esposa, Valeria, perdera a vida durante o parto difícil dos 3 meninos. Desde essa tragédia, o magnata enterrou-se no trabalho, tentando preencher o vazio das crianças com os brinquedos mais caros do mundo. Nada funcionava. O silêncio reinava até à chegada de Isabella, a sua atual noiva. Isabella era uma socialite fria e calculista da alta sociedade mexicana que fingia uma devoção maternal apenas para assegurar o cobiçado apelido Garza e a imensa fortuna. Na presença de Alejandro, ela encenava carinho, ajoelhava-se e fingia brincar; contudo, assim que ele saía para o escritório, Isabella isolava os 3 meninos num canto, gritava com eles e focava-se obsessivamente no ecrã do seu telemóvel.
Carmen observava esta hipocrisia silenciosamente. A dor das crianças trespassava a sua alma, recordando-a da sua própria infância difícil na pobreza extrema. Quebrando as regras estritas da mansão, Carmen esgueirava-se todas as noites para os quartos escuros dos 3 meninos. Cantava-lhes “Cielito Lindo” em sussurros, preparava-lhes leite morno com canela e contava lendas fascinantes sobre os alebrijes mágicos e protetores. Em poucas semanas, a empregada de limpeza tornou-se o porto seguro que o dinheiro ilimitado do milionário nunca conseguiu comprar.
Mas a tensão na casa estava prestes a explodir. Numa sexta-feira fatídica, Alejandro avisou que chegaria mais tarde devido a uma tempestade forte que alagava as ruas da capital. Isabella decidiu aproveitar a ausência para se instalar na sala principal com os seus catálogos de casamento. Carmen, que estava a polir os pesados móveis da biblioteca, ouviu subitamente um choro estridente e aterrorizado de uma criança. Largou os panos no chão e correu apressadamente pelo corredor.
Ao entrar na grande sala de estar, o sangue de Carmen gelou nas veias. Isabella, com os dentes cerrados e os olhos cheios de um desprezo inexplicável, apertava com violência o pequeno braço de Diego, que tinha acidentalmente entornado 1 copo de sumo de tamarindo no caríssimo tapete persa.
“Pestinha asqueroso! Ouve bem o que te digo”, rosnou a socialite, levantando a mão livre com a intenção clara de o agredir no rosto. “Assim que a aliança de casamento estiver no meu dedo, vou despachar-vos aos 3 para 1 colégio militar bastante rigoroso, onde nunca mais verão a luz do dia!”
Sem hesitar 1 segundo sequer, Carmen atirou-se para a frente, agarrando o pulso levantado de Isabella com uma força surpreendente. O embate entre as 2 mulheres foi feroz e silencioso. Num movimento brusco para se libertar, Isabella deixou cair o seu telemóvel no sofá profundo. O ecrã iluminou-se intensamente, revelando 1 mensagem comprometedora que acabara de ser enviada para 1 homem chamado Roberto: “O plano avança perfeitamente, meu amor. Os 3 fardos vão desaparecer num orfanato internacional e a conta bancária do idiota do Alejandro ficará toda para nós”.
Carmen leu as palavras horrendas e o seu coração falhou 1 batida. Isabella reparou imediatamente que o seu segredo obscuro fora descoberto pela funcionária. Com um sorriso sádico e puramente calculista, a socialite agarrou num pesado e valioso vaso de cristal da mesa de centro e, num golpe rápido e impensável, partiu-o contra a sua própria testa. O sangue começou a escorrer profusamente pelo seu rosto escultural, manchando o tecido do vestido de grife. A maçaneta da porta principal rodou com força e Alejandro Garza entrou apressadamente na sala, deparando-se com a cena horripilante.
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